domingo, 1 de junho de 2014

Devaneio

Ando perdido no mundo, homem sem casa segue adiante, com garra sem medo.
Ando perdido em mim, no pensamento, mergulho cada vez mais fundo no meu consciente, devaneio sem rumo, dou asas á imaginação.
Abri a torneira da mente, e quanto mais bebo maior é a sede. Rendo-me ao prazer orgásmico de uma ideia, um conceito, um leve divagar que me ilumina os neurónios.
Andei perdido no tempo, preso, sufocado, acorrentado na prisão construída tijolo por tijolo pelas barreiras do meu ser.

Imagino-me sozinho, perdido num caminho sem fim, onde a paisagem de lado é escura e á frente incerta, mas ao olhar para traz recordo o que fiz, de onde vim, aonde comecei.

Criança ingénua igual as demais, com liberdade para sonhar, sem vigia, sem obstáculos, apenas o prazer de explorar, conhecer e encontrar.

Cresci mal feito homem, predisposto a errar, tinha pernas mas não sabia andar, tinha sonhos mas as asas estavam presas.

Mas a sede falou mais falta, a ansia e a loucura maior que a razão e o medo. Aos tropeções fui andando, passo ante passo, pé ante pé.

Parti rumo ao incerto, com o orgulho no peito e o medo as costas. Chorei, gritei, ri e amei. Entreguei-me ao destino que não estava traçado, deixei-me cair nas graças do acaso.

Mas se por acaso fosse eu diferente, hoje não era quem sou, talvez fosse feliz mas não o creio, dividiria a vida com a incerteza do que poderia ter sido, com o se na ponta da língua.

 Levo comigo a solidão, eterna companheira de luta e aventura, eterna presença no dia-a-dia que vivo.

Mas não estou só, estou apenas num rumo diferente, vivo saltando no tempo, vivo sentado no café, atentamente absorvendo as histórias que não pude viver, em que presenciei nos sonhos mas não como ser de carne e osso.

E assim vou vivendo, vou jogando e conhecendo. Agarrando nos controlos da vida, dando início a jornada, com a esperança de não me perder.

Só tenho um objetivo, morrer sem perguntar, como teria sido a minha aventura? Morrer com as memórias de tudo o que passei e vi. De todos os que amei, dos momentos loucos que me esperam ainda.

Mas enfim, mais um crédito no jogo, mais uma nova aventura, mais uma experiencia de quem não tem nada a perder e tudo a ganhar.

Nada me da mais gozo que o momento de reflexão, quando pondero o futuro, em que tudo é incerto e a vida é uma surpresa.

Vou sereno, de sorriso nos lábios e confiante, afinal de que vale a vida se não a vivermos.

Anda daí solidão, dá-me a mão que também tu precisas de companhia.

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