Ando perdido no
mundo, homem sem casa segue adiante, com garra sem medo.
Ando perdido em
mim, no pensamento, mergulho cada vez mais fundo no meu consciente, devaneio
sem rumo, dou asas á imaginação.
Abri a torneira
da mente, e quanto mais bebo maior é a sede. Rendo-me ao prazer orgásmico de
uma ideia, um conceito, um leve divagar que me ilumina os neurónios.
Andei perdido no
tempo, preso, sufocado, acorrentado na prisão construída tijolo por tijolo
pelas barreiras do meu ser.
Imagino-me
sozinho, perdido num caminho sem fim, onde a paisagem de lado é escura e á
frente incerta, mas ao olhar para traz recordo o que fiz, de onde vim, aonde
comecei.
Criança ingénua
igual as demais, com liberdade para sonhar, sem vigia, sem obstáculos, apenas o
prazer de explorar, conhecer e encontrar.
Cresci mal feito
homem, predisposto a errar, tinha pernas mas não sabia andar, tinha sonhos mas
as asas estavam presas.
Mas a sede falou
mais falta, a ansia e a loucura maior que a razão e o medo. Aos tropeções fui
andando, passo ante passo, pé ante pé.
Parti rumo ao
incerto, com o orgulho no peito e o medo as costas. Chorei, gritei, ri e amei.
Entreguei-me ao destino que não estava traçado, deixei-me cair nas graças do
acaso.
Mas se por acaso
fosse eu diferente, hoje não era quem sou, talvez fosse feliz mas não o creio,
dividiria a vida com a incerteza do que poderia ter sido, com o se na ponta da língua.
Levo comigo a solidão, eterna companheira de
luta e aventura, eterna presença no dia-a-dia que vivo.
Mas não estou só,
estou apenas num rumo diferente, vivo saltando no tempo, vivo sentado no café,
atentamente absorvendo as histórias que não pude viver, em que presenciei nos
sonhos mas não como ser de carne e osso.
E assim vou
vivendo, vou jogando e conhecendo. Agarrando nos controlos da vida, dando início
a jornada, com a esperança de não me perder.
Só tenho um objetivo,
morrer sem perguntar, como teria sido a minha aventura? Morrer com as memórias
de tudo o que passei e vi. De todos os que amei, dos momentos loucos que me esperam
ainda.
Mas enfim, mais
um crédito no jogo, mais uma nova aventura, mais uma experiencia de quem não
tem nada a perder e tudo a ganhar.
Nada me da mais
gozo que o momento de reflexão, quando pondero o futuro, em que tudo é incerto
e a vida é uma surpresa.
Vou sereno, de
sorriso nos lábios e confiante, afinal de que vale a vida se não a vivermos.
Anda daí solidão,
dá-me a mão que também tu precisas de companhia.
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