Ainda estou a recuperar do choque.
Faz hoje quatro dias que cheguei a Angola e apesar de nunca o ter imaginado, assim que pus o pé em solo Africano percebi que esta era uma experiencia que tinha de viver.
Caos, confusão, poluição, degradação, pobreza e riqueza, muita riqueza…
Fui recebido por 3 rapazes e de imediato me senti
importante, um agarrou na minha mala, o outro foi pagar o parque e o terceiro
estava lá só para dizer que estava.
Entrei no carro do Sousa, como diria o meu velho amigo, O Sousa no seu chiante com bolantinho de paú, que estava encarregado de me acompanhar durante o dia. Mal entrei no carro deram-me dois bilhetes de avião, um para Cabinda e outro de regresso a Lisboa, bilhete esse que não o chegarei a usar, é apenas uma formalidade para entrar no país e um envelope com dinheiro para as despesas do dia. Foi estranho, que nem 30 minutos depois de sair do aeroporto me tenham dado para a mão um terço do ordenado mínimo Português, sem perguntas, sem demandas, a única coisa que fiz foi assinar um papel para o Responsável saber que o rapaz me tinha dado o dinheiro em vez de o por no bolso.
Fui então para a residencial, aonde encontrei a primeira da minha nova coleção de histórias caricatas, cheguei ao quarto que tinha uma cama nojenta, a casa de banho com uma barra de sabão rançoso que não inspirava confiança e a cereja no topo do bolo, 4 preservativos na gaveta da mesinha de cabeceira. Há quem prefira a bíblia mas pronto eu acho que a ideia nem é má, mas eu prefiro usar os meus em vez de por o instrumento em borracha alheia.
Almocei num restaurante Português que, como dizia o Sousa é onde se come melhor, um arroz de pato que estava fantástico, também a 30 dolares o prato ou estava divinal ou havia revolução.
Luanda é um misto de riqueza e pobreza só, a classe média é viajante, ou emigrante a trabalhar para quem tem dinheiro. Dos momentos caricatos que me recordo acho que o primeiro é o da famosa parede a dizer proibido mijar aqui, o segundo foi chegar ao Belas Shopping e pensar, bom luxo aqui é o que não falta. Empresários de construção que em Portugal não têm trabalho, aqui são reis, e ainda se dão ao luxo de trabalhar na esplanada do café onde provavelmente fecham negócios mais lucrativos que no escritório.
O Shopping em si tinha bastantes marcas conhecidas, cinema e um Burger King aonde acabei por almoçar. Eu posso-me considerar um felizardo, pela pessoa que sou, e pelo que trabalhei para desenvolver, tanto me sinto a vontade no meio do luxo como no meio da pobreza, mas aqui ecoam as palavras do meu antigo chefe, “Lá vais-te sentir importante, e receber um tratamento que em Portugal nunca terias.” Palavras sinceras que não fiz caso na altura mas sem dúvida agora percebo.
Depois do almoço, fui até ao escritório de quem me contratou. É giro ver a diferença, conheci os engenheiros e os doutores, bebi um belo de um Nespresso e ainda ajudei a resolver um problema no Mac topo de gama que estava em cima da secretaria, de quem o tem só para dizer que pode, que nem o botão para atualizar uma página sabia o que era.
Depois do escritório fui direto para o aeroporto, depois de 1h no trânsito e de ver as “lojas” que preenchem a rua através da janela do carro, aonde tudo se vende, telemóveis, relógios, comida e bebida, tampos de sanita, quadros, pulseiras, cosméticos, quadros, entre outros que são tantos que não dá para enumerar.
Chegado ao aeroporto e depois de ter parado em 4 postos para confirmarem os meus documentos lá entrei no avião, cansado e com sono, desconfortável e com vontade de arrancar o nariz, lá me sentei e apertei o cinto.
O encosto do braço era do velhote que ia ao meu lado, nem pensei em reclamar, e ao meu lado um chinês moreno, magrinho como só eles, mexia-se de um lado para o outro como se tivesse o diabo no corpo.
Embarcar num voo nacional é um risco, entre voos que se atrasam, malas que se perdem, e a falta de higiene a bordo contem ainda com os comentários elucidantes dos restantes passageiros. Como a senhora que em plena descolagem recebe uma chamada, o rapaz que se levantou do lugar para lhe tirar o telemóvel e desliga-lo e a hospedeira que berrou lá do fundo para ele se sentar e por o cinto.
O pequeno lanche foi a correr, ao estilo de linha de montagem e ainda vi um episódio do mister Bean a bordo enquanto degustava o pequeno repasto que por estar embalado me inspirou mais confiança. Numa viagem que durou apenas 50 minutos fiquei feliz por chegar a solo firme, com um sorriso nos lábios, porque não vale a pena reclamar ou ficar incomodado, não muda nada.
Finalmente as 21h30 da noite cheguei ao aeroporto de Cabinda e pisei o solo da minha nova terra.
Entrei no carro do Sousa, como diria o meu velho amigo, O Sousa no seu chiante com bolantinho de paú, que estava encarregado de me acompanhar durante o dia. Mal entrei no carro deram-me dois bilhetes de avião, um para Cabinda e outro de regresso a Lisboa, bilhete esse que não o chegarei a usar, é apenas uma formalidade para entrar no país e um envelope com dinheiro para as despesas do dia. Foi estranho, que nem 30 minutos depois de sair do aeroporto me tenham dado para a mão um terço do ordenado mínimo Português, sem perguntas, sem demandas, a única coisa que fiz foi assinar um papel para o Responsável saber que o rapaz me tinha dado o dinheiro em vez de o por no bolso.
Fui então para a residencial, aonde encontrei a primeira da minha nova coleção de histórias caricatas, cheguei ao quarto que tinha uma cama nojenta, a casa de banho com uma barra de sabão rançoso que não inspirava confiança e a cereja no topo do bolo, 4 preservativos na gaveta da mesinha de cabeceira. Há quem prefira a bíblia mas pronto eu acho que a ideia nem é má, mas eu prefiro usar os meus em vez de por o instrumento em borracha alheia.
Almocei num restaurante Português que, como dizia o Sousa é onde se come melhor, um arroz de pato que estava fantástico, também a 30 dolares o prato ou estava divinal ou havia revolução.
Luanda é um misto de riqueza e pobreza só, a classe média é viajante, ou emigrante a trabalhar para quem tem dinheiro. Dos momentos caricatos que me recordo acho que o primeiro é o da famosa parede a dizer proibido mijar aqui, o segundo foi chegar ao Belas Shopping e pensar, bom luxo aqui é o que não falta. Empresários de construção que em Portugal não têm trabalho, aqui são reis, e ainda se dão ao luxo de trabalhar na esplanada do café onde provavelmente fecham negócios mais lucrativos que no escritório.
O Shopping em si tinha bastantes marcas conhecidas, cinema e um Burger King aonde acabei por almoçar. Eu posso-me considerar um felizardo, pela pessoa que sou, e pelo que trabalhei para desenvolver, tanto me sinto a vontade no meio do luxo como no meio da pobreza, mas aqui ecoam as palavras do meu antigo chefe, “Lá vais-te sentir importante, e receber um tratamento que em Portugal nunca terias.” Palavras sinceras que não fiz caso na altura mas sem dúvida agora percebo.
Depois do almoço, fui até ao escritório de quem me contratou. É giro ver a diferença, conheci os engenheiros e os doutores, bebi um belo de um Nespresso e ainda ajudei a resolver um problema no Mac topo de gama que estava em cima da secretaria, de quem o tem só para dizer que pode, que nem o botão para atualizar uma página sabia o que era.
Depois do escritório fui direto para o aeroporto, depois de 1h no trânsito e de ver as “lojas” que preenchem a rua através da janela do carro, aonde tudo se vende, telemóveis, relógios, comida e bebida, tampos de sanita, quadros, pulseiras, cosméticos, quadros, entre outros que são tantos que não dá para enumerar.
Chegado ao aeroporto e depois de ter parado em 4 postos para confirmarem os meus documentos lá entrei no avião, cansado e com sono, desconfortável e com vontade de arrancar o nariz, lá me sentei e apertei o cinto.
O encosto do braço era do velhote que ia ao meu lado, nem pensei em reclamar, e ao meu lado um chinês moreno, magrinho como só eles, mexia-se de um lado para o outro como se tivesse o diabo no corpo.
Embarcar num voo nacional é um risco, entre voos que se atrasam, malas que se perdem, e a falta de higiene a bordo contem ainda com os comentários elucidantes dos restantes passageiros. Como a senhora que em plena descolagem recebe uma chamada, o rapaz que se levantou do lugar para lhe tirar o telemóvel e desliga-lo e a hospedeira que berrou lá do fundo para ele se sentar e por o cinto.
O pequeno lanche foi a correr, ao estilo de linha de montagem e ainda vi um episódio do mister Bean a bordo enquanto degustava o pequeno repasto que por estar embalado me inspirou mais confiança. Numa viagem que durou apenas 50 minutos fiquei feliz por chegar a solo firme, com um sorriso nos lábios, porque não vale a pena reclamar ou ficar incomodado, não muda nada.
Finalmente as 21h30 da noite cheguei ao aeroporto de Cabinda e pisei o solo da minha nova terra.
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