Desde que cheguei a Cabinda tenho conhecido espécimes
humanos que pensei já não existirem, e não digo isto com qualquer conotação negativa.
É verdade, pelo menos aqui, que burro velho não aprende línguas mas há coisas que me revoltam.
Uma das histórias já foi parar ao papel digital, outras ficam por contar, para mais tarde as imortalizar, ou assim espero, neste cantinho onde despejo o que me vai na alma.
Como já disse fui recebido pelo F.F., homem forte do norte, baixinho mas com garra, vinha com vontade de engolir Africa, mas desconfio que foi Africa que o engoliu. É daqueles que diz “semos” em vez de “somos” e “Cavinda” em vez de “Cabinda”, mas 5 estrelas, lá deve ter os seus defeitos mas eu pelo menos ainda não os vi.
Nota-se a vontade de se afirmar, mesmo que seja por se sentir importante num sítio onde a importância não importa. Já tem família e desconfio que daqui já só sai deitado, isto claro, se alguma vez chegar a sair.
É verdade, pelo menos aqui, que burro velho não aprende línguas mas há coisas que me revoltam.
Uma das histórias já foi parar ao papel digital, outras ficam por contar, para mais tarde as imortalizar, ou assim espero, neste cantinho onde despejo o que me vai na alma.
Como já disse fui recebido pelo F.F., homem forte do norte, baixinho mas com garra, vinha com vontade de engolir Africa, mas desconfio que foi Africa que o engoliu. É daqueles que diz “semos” em vez de “somos” e “Cavinda” em vez de “Cabinda”, mas 5 estrelas, lá deve ter os seus defeitos mas eu pelo menos ainda não os vi.
Nota-se a vontade de se afirmar, mesmo que seja por se sentir importante num sítio onde a importância não importa. Já tem família e desconfio que daqui já só sai deitado, isto claro, se alguma vez chegar a sair.
Eu sempre tenho a sorte de ver os dois mundos em ação,
aquele dos bem formados em que o civismo ficou, se calhar no avião, e o
daqueles em que a formação foi feita de balde na mão. É estranho ver tratar alguém
assim, mas mudar isto seria como tentar pedir a uma parede que se mova. É
preciso esperar pelas novas gerações, que vêm com novas ideias e outros
valores. E, verdade seja dita, não é só aqui, por todo o mundo há pessoas que
fixaram na mente que têm mais direito, por este motivo ou aquele, que o resto
dos mortais. É estranho, pelo menos para mim, ver quem ordena que lhe descarreguem
o carro, que lhe comprem a espuma de barbear ou então que lhe tragam o prato
que nem a 3 metros de distância se encontra.
Eles dizem que o povo aqui é burro, mas eu acredito
que o problema é outro. São outras realidades, vividas na base do desespero,
numa terra onde nada funciona por mais que eles nos queiram convencer do contrário.
A educação é uma anedota e a saúde é só para quem tem dinheiro. Tudo aqui é
difícil, ver pessoas que têm de sobreviver com 250 dólares por mês quando um
pacote de leite custa 3 dólares. Até tenho vergonha de dizer quanto recebo, não
que seja demais para o que estou a fazer e viver, mas pela disparidade com a do
resto dos naturais da cidade.Coisa que estes emigrantes precisam, como de água para respirar, é de mulheres, e aqui é fácil para quem quiser andar nessas andanças, ter o tom de pele mais clara sem olhos em bico significa uma carteira mais abastada, regra geral, e elas sabem-no. Das 5 pessoas com quem partilho o espaço habitacional não há uma que não tenha alguém que lhe aqueça a cama, mais à conta da carteira que dos seus lindos olhos.
Mas desenganem-se aqueles que pensam que malvados são estes emigrantes, porque por muito que eles queiram afirmar que têm a situação controlada, o dinheiro teima em sair da carteira como se esta tivesse um furo por onde ele escorre como se de água se tratasse. E assim continuam, na maioria todos com família em Portugal, mas verdade seja dita ainda não conheci um que não tivesse ajudado financeiramente os filhos a serem homens e mulheres de vida feita.
Quanto mais tempo passo aqui mais certeza tenho, que preciso de sair daqui antes que Africa me engula ou enfeitice como aos demais, todos dizem que o que os prende é o dinheiro, mas não, é a vida que levam aqui, que nem em Portugal nem em outro país civilizado conseguiam alguma vez levar.
Mas tenho esperança que isto mude, ou se calhar sou só mais um louco que espera o que tarda em chegar.
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