sábado, 14 de junho de 2014

Ainda em choque.

Ainda estou a recuperar do choque.

Faz hoje quatro dias que cheguei a Angola e apesar de nunca o ter imaginado, assim que pus o pé em solo Africano percebi que esta era uma experiencia que tinha de viver.

Caos, confusão, poluição, degradação, pobreza e riqueza, muita riqueza…

Fui recebido por 3 rapazes e de imediato me senti importante, um agarrou na minha mala, o outro foi pagar o parque e o terceiro estava lá só para dizer que estava.
Entrei no carro do Sousa, como diria o meu velho amigo, O Sousa no seu chiante com bolantinho de paú, que estava encarregado de me acompanhar durante o dia. Mal entrei no carro deram-me dois bilhetes de avião, um para Cabinda e outro de regresso a Lisboa, bilhete esse que não o chegarei a usar, é apenas uma formalidade para entrar no país e um envelope com dinheiro para as despesas do dia. Foi estranho, que nem 30 minutos depois de sair do aeroporto me tenham dado para a mão um terço do ordenado mínimo Português, sem perguntas, sem demandas, a única coisa que fiz foi assinar um papel para o Responsável saber que o rapaz me tinha dado o dinheiro em vez de o por no bolso.

Fui então para a residencial, aonde encontrei a primeira da minha nova coleção de histórias caricatas, cheguei ao quarto que tinha uma cama nojenta, a casa de banho com uma barra de sabão rançoso que não inspirava confiança e a cereja no topo do bolo, 4 preservativos na gaveta da mesinha de cabeceira. Há quem prefira a bíblia mas pronto eu acho que a ideia nem é má, mas eu prefiro usar os meus em vez de por o instrumento em borracha alheia.

Almocei num restaurante Português que, como dizia o Sousa é onde se come melhor, um arroz de pato que estava fantástico, também a 30 dolares o prato ou estava divinal ou havia revolução.

Luanda é um misto de riqueza e pobreza só, a classe média é viajante, ou emigrante a trabalhar para quem tem dinheiro. Dos momentos caricatos que me recordo acho que o primeiro é o da famosa parede a dizer proibido mijar aqui, o segundo foi chegar ao Belas Shopping e pensar, bom luxo aqui é o que não falta. Empresários de construção que em Portugal não têm trabalho, aqui são reis, e ainda se dão ao luxo de trabalhar na esplanada do café onde provavelmente fecham negócios mais lucrativos que no escritório.

O Shopping em si tinha bastantes marcas conhecidas, cinema e um Burger King aonde acabei por almoçar. Eu posso-me considerar um felizardo, pela pessoa que sou, e pelo que trabalhei para desenvolver, tanto me sinto a vontade no meio do luxo como no meio da pobreza, mas aqui ecoam as palavras do meu antigo chefe, “Lá vais-te sentir importante, e receber um tratamento que em Portugal nunca terias.” Palavras sinceras que não fiz caso na altura mas sem dúvida agora percebo.

Depois do almoço, fui até ao escritório de quem me contratou. É giro ver a diferença, conheci os engenheiros e os doutores, bebi um belo de um Nespresso e ainda ajudei a resolver um problema no Mac topo de gama que estava em cima da secretaria, de quem o tem só para dizer que pode, que nem o botão para atualizar uma página sabia o que era.

Depois do escritório fui direto para o aeroporto, depois de 1h no trânsito e de ver as “lojas” que preenchem a rua através da janela do carro, aonde tudo se vende, telemóveis, relógios, comida e bebida, tampos de sanita, quadros, pulseiras, cosméticos, quadros, entre outros que são tantos que não dá para enumerar.

Chegado ao aeroporto e depois de ter parado em 4 postos para confirmarem os meus documentos lá entrei no avião, cansado e com sono, desconfortável e com vontade de arrancar o nariz, lá me sentei e apertei o cinto.
O encosto do braço era do velhote que ia ao meu lado, nem pensei em reclamar, e ao meu lado um chinês moreno, magrinho como só eles, mexia-se de um lado para o outro como se tivesse o diabo no corpo.
Embarcar num voo nacional é um risco, entre voos que se atrasam, malas que se perdem, e a falta de higiene a bordo contem ainda com os comentários elucidantes dos restantes passageiros. Como a senhora que em plena descolagem recebe uma chamada, o rapaz que se levantou do lugar para lhe tirar o telemóvel e desliga-lo e a hospedeira que berrou lá do fundo para ele se sentar e por o cinto.
O pequeno lanche foi a correr, ao estilo de linha de montagem e ainda vi um episódio do mister Bean a bordo enquanto degustava o pequeno repasto que por estar embalado me inspirou mais confiança. Numa viagem que durou apenas 50 minutos fiquei feliz por chegar a solo firme, com um sorriso nos lábios, porque não vale a pena reclamar ou ficar incomodado, não muda nada.

Finalmente as 21h30 da noite cheguei ao aeroporto de Cabinda e pisei o solo da minha nova terra.

domingo, 1 de junho de 2014

Devaneio

Ando perdido no mundo, homem sem casa segue adiante, com garra sem medo.
Ando perdido em mim, no pensamento, mergulho cada vez mais fundo no meu consciente, devaneio sem rumo, dou asas á imaginação.
Abri a torneira da mente, e quanto mais bebo maior é a sede. Rendo-me ao prazer orgásmico de uma ideia, um conceito, um leve divagar que me ilumina os neurónios.
Andei perdido no tempo, preso, sufocado, acorrentado na prisão construída tijolo por tijolo pelas barreiras do meu ser.

Imagino-me sozinho, perdido num caminho sem fim, onde a paisagem de lado é escura e á frente incerta, mas ao olhar para traz recordo o que fiz, de onde vim, aonde comecei.

Criança ingénua igual as demais, com liberdade para sonhar, sem vigia, sem obstáculos, apenas o prazer de explorar, conhecer e encontrar.

Cresci mal feito homem, predisposto a errar, tinha pernas mas não sabia andar, tinha sonhos mas as asas estavam presas.

Mas a sede falou mais falta, a ansia e a loucura maior que a razão e o medo. Aos tropeções fui andando, passo ante passo, pé ante pé.

Parti rumo ao incerto, com o orgulho no peito e o medo as costas. Chorei, gritei, ri e amei. Entreguei-me ao destino que não estava traçado, deixei-me cair nas graças do acaso.

Mas se por acaso fosse eu diferente, hoje não era quem sou, talvez fosse feliz mas não o creio, dividiria a vida com a incerteza do que poderia ter sido, com o se na ponta da língua.

 Levo comigo a solidão, eterna companheira de luta e aventura, eterna presença no dia-a-dia que vivo.

Mas não estou só, estou apenas num rumo diferente, vivo saltando no tempo, vivo sentado no café, atentamente absorvendo as histórias que não pude viver, em que presenciei nos sonhos mas não como ser de carne e osso.

E assim vou vivendo, vou jogando e conhecendo. Agarrando nos controlos da vida, dando início a jornada, com a esperança de não me perder.

Só tenho um objetivo, morrer sem perguntar, como teria sido a minha aventura? Morrer com as memórias de tudo o que passei e vi. De todos os que amei, dos momentos loucos que me esperam ainda.

Mas enfim, mais um crédito no jogo, mais uma nova aventura, mais uma experiencia de quem não tem nada a perder e tudo a ganhar.

Nada me da mais gozo que o momento de reflexão, quando pondero o futuro, em que tudo é incerto e a vida é uma surpresa.

Vou sereno, de sorriso nos lábios e confiante, afinal de que vale a vida se não a vivermos.

Anda daí solidão, dá-me a mão que também tu precisas de companhia.

domingo, 4 de maio de 2014

I wish

I wish I could enchant you with my words, that I could put down in paper my soul, strip me down of all the masks and show me, naked, crude, raw…

I wish the letters I write would form a lullaby, one that carries you into a gentle sleep, where dreams are made, desires come true and everything is in your reach.

I wish I could change the world, just by saying. Command the rivers and flows of our nature just by whispering.

I wish…

I wish I could win against the odds, swiftly through the battlefields of reason. Marching down against the armies that oppose me, taking down word after word, text after text.

I wish I could hold your hand and make us fly into the moon, just by composing a symphony with every keystroke on my keyboard.

I wish I could make you laugh, see the world in my eyes, make you get lost inside me, deeper and deeper in my soul.

I wish…

I wish for tomorrow here and now, a time where I could make you mine, a time where I could be yours.

I wish for happiness, for joy, for sadness, for true beauty in a simple piece of paper.

I wish for everything and nothing at all. I wish without wishing because in my wish, in my words, in my humble lines…

The only thing I wish is you.

Hi mom, I'm here, always, even if I'm not around...

I have a curse, an undeniable desire to travel, see the world, learn, grow, laugh, cry, live.

It's a curse because even though sometimes I try I am unable to be by your side, physically for to long. But I'm always here, even though sometimes you cant see it. I'm here.

I love to travel, meet new people, enjoy the only chance I have to live, because even though you are afraid, the truth doesn't change. We have one chance, one life, one opportunity to live here, now and be happy.

Because I was away for some time, I learned how to love this place even more. I love Portugal, I love the people, the amazing places, the language, the food. I love to many things to be able to list them all.

Yesterday while I listened to a song that if I didn't knew better I would say it was written thinking about me, I heard the lyrics, I'm going, but I wont rest until there is change here.

I love this place.

And I love my mother, a simple mind, a simple person, that just wants to smile.

I experienced a lot of things during my 28 years in this life, but nothing feels my heart with joy more than to see my mother smile, like a child when they receive a lollipop.

I'm sorry, I'm sorry for leaving you, for wanting more than this here. I'm sorry for leaving you alone for so long, to have gone in search of my happiness while you stayed behind. But I need to, I have to.

In this day, equal to all the others, I choose to say I love you, not because I have to but because I want to.

You are in my heart, always, when i'm crying, laughing, exploring, living...


domingo, 13 de abril de 2014

O ultimo texto que te escrevo.

Desculpa…

Qual é o sentido da palavra? Sozinha é vazia, sozinha não tem força. Sozinha é frágil, oca, sem sentido.
A desculpa parte do que se esconde atrás das letras que a compõem. Do que nos vai na alma. Do que sentimos no momento.

Desculpa só não chega mas o que vai por detrás é algo imensurável. Só nós sabemos o que temos guardado, o que queremos carregar nesta palavra de oito letras.

Quero carregar esta palavra com todo o arrependimento que tenho guardado no peito. Quero carregar esta palavra com toda a sinceridade que me resta.
Quero carregar esta palavra com toda a bondade que tenho. Toda a bondade que quero, com todas as forças, acreditar que ainda tenho em mim.

Não sei porque se cruzaram os nossos caminhos, um mero acaso, ou algo que não podia ser de outra maneira. Sei que deixei uma parte de mim controlar o que fiz, uma parte negra, suja, envenenada pela minha própria ilusão de ser íntegro e sem culpa.

Nem sequer sei se o sentimento, a vontade, a natureza da minha alma é suficiente para carregar a palavra com força para compensar tudo o que fiz. Nem deve.

Mas é algo que me aflige, é algo que me corrói, não porque queira perdão mas sim porque me envergonho de ter vacilado aos meus próprios defeitos.

A vida não tem culpa, somos todos responsáveis pelas consequências dos nossos actos. Não tenho a quem atribuir culpas a não ser a mim mesmo.

Desculpa.

Desculpa por tudo o que fiz e tudo o que fiz acontecer. Desculpa pelos momentos de sufoco, pela traição escondida na mentira. Por ter espezinhado a bondade que me foi oferecida, por ter conspurcado todo o amor e carinho que me foi entregue.

A vida deu-me uma segunda oportunidade, e quero agarra-la com todas as forças. Quero agarra-la com todas as armas que me deste.

Ajudaste-me a crescer, a vencer o que de pior tinha guardado, e em vez de te agradecer, mais uma vez descartei toda a boa vontade como se de lixo se tratasse.

Desculpa.

E se leres este texto, e se de mim restar alguma coisa na memória, e se conseguir carregar tudo o que sinto em apenas duas palavras, sinceras, sem segundas intenções, nuas, cruas, vindas de algo que pensei já não existir em mim. Se de tudo o que aconteceu te permitires uma breve memória. Apenas duas palavras restam em mim.


Desculpa e obrigado.

domingo, 6 de abril de 2014

Pieces of an eternal struggle

In this life, what’s the meaning? Why do we get up in the morning? Why do we try?
I find myself isolated, alone in a dark room. Unable to see past the dim light that shines upon me.
Why does my heart ache? Why does sadness seduce me?

Gently it calls me. I see it everywhere, i see it constantly like a specter that you can only glimpse at. Walking in the background, teasing you, luring in you into its embrace until it can finally get your in it’s embrace.

My heart is soft, my soul is week. I try to block it, to fight it but to no avail.
My mind is weak, my feelings soft. I feel blind, trying to fight a battle that I didn't ask for.

What is my sadness?

I wonder but can’t comprehend. I look in every direction. But still i can only see the Specter.

Its weird, in a sense it looks like me.
It moves like me, it whispers like me, it smiles like me. Why is it so alien and at the same time so familiar?

I hear the screaming smile…

I know… I finally know.

Who you are. What you are. What you seek.

You are me. You are my thoughts . You want my soul.

Take a deep breath. Close my eyes. Embrace it.


Today it starts, it continues, it ends. The battle, the struggle, the despair.

You are my enemy. My enemy is me.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Walking down memory lane.



A trip to the past…

This past weekend I went on a journey, a journey to my past in the present. It started with a casual meeting with some old friends for a beer on Friday night, having fun, hearing old jokes and new ones. Seeing familiar faces, getting to know their new life and at the same time remembering the old one. It was a mixed feeling, in a way I felt like I belonged in another felt like I was just an old friend visiting. It was a relaxing evening, with casual conversation that put me in a good mood.

The next morning, the old ritual, that I had missed so much, the morning cup of coffee with my best friend, sharing life’s little tricks and surprises, speaking about the future and remembering the past, bumping ideas about what surrounds us while enjoying the occasional cigarette.
It’s amazing that, no matter how much time has passed, some things remain the same, a constant on this ever changing world, something that I can trace back so many years, and that I know that, no matter how much time one of us goes away, there will always be sometime in the future where we will meet again, for a nice conversation, and a nice espresso on a lazy Sunday or Saturday morning where two old friends spend a few hours talking with each other. In fact I can almost see us, in our sixties, old and worn by time, sharing this time stories about our children, or grandchildren, only if for just a couple of minutes, while the world fades away in the background.


The afternoon brought a surprise, the sun shined and the warm late winter afternoon in Portugal welcomed a walk down the beach, the waves calmly washing ashore, people enjoying sun baths, the smell of a summer yet to come, all of this while enjoying a few moments with an old friend, sharing experiences and opinions on what happened lately.
I hadn’t realized how much I used to enjoy this little moments and how much I missed them until now. A walk, a beer, a conversation that goes on for hours, the subjects ever changing to suit the moment. The stories may be new, but the point remains the same, relaxing the mind and the body, sharing the joys and emotions of what life brings us, each sentence allowing the other a better glimpse into the mind of the friend next to him.

Then Sunday lazy Sunday, while the weather changed so did my mood, my mind stumbled upon the countless ones I had so far, sitting at home, enjoying a movie, and outside the weather reminding us that It was still winter. I listened to the wind blowing on my windows, the crackling noise invading the house, helping to further my comfort for being inside, warm in my robe enjoying a nice cup of coffee.
It was a wonderful weekend, sometimes I wish that things would have never changed but then I remember why they did, I focus on the light at the end of the tunnel, and get myself excited waiting for this new chapter in my life to unfold.