segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Tempo



Tic tac, Tic tac…

O ponteiro percorre o seu caminho,
Sem desvios, sem distracção.
Muda a hora, os minutos, os segundos,
Mas o seu propósito permanece o mesmo.

Tic tac, Tic tac…

A percepção muda em torno do ponteiro,
Ora mais depressa, ora mais devagar.
Mas ele continua fiel, seguro, determinado,
em manter o seu passo.

Tic tac, Tic tac…

Mudam os olhos, muda a realidade,
Só ele permanece o mesmo,
Palmilhando vagarosamente os traços no seu caminho.

Tic tac, Tic…

Ele para,
Mas não o tempo.
Esse flui, sem um piscar de olhos para o seu nobre companheiro que ficou pelo caminho.
Pois o tempo não vê, ele não sente, simplesmente passa.

Mas para o ponteiro chegou o fim, o seu descanso. Chegou o final de uma viagem inacabável.
Chegou o fim do seu tormento, da sua tortura, do seu propósito.
Se ao menos parasse o tempo, só por uns instantes, em homenagem do ponteiro, de quem caminhou uma vida com a certeza de que não havia uma meta, só traços, um após o outro, sem nunca vislumbrar a fita branca no final do caminho.

Mas de repente…

Tic tac, tic tac…

O ponteiro torna a andar, ressuscitado por mãos alheias, de volta ao caminho, a tortura de andar sem uma meta, sempre no mesmo trilho, sempre no mesmo passo…

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